Biografias > Gregório de Matos e Guerra
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Gregório de Matos (1636-1696), o Boca do Inferno, como os jesuítas o apelidaram, nasceu em Salvador (BA) e era filho de família rica e católica; inclusive um de seus dois irmãos, Eusébio, foi padre e poeta. Aos quatorze anos foi estudar leis em Coimbra, onde se diplomou. Jurista e boêmio, voltou ao Brasil, mas retornou imediatamente a Portugal e foi nomeado juiz de um bairro de Lisboa. Desgostoso da Corte, regressou ao Brasil e exerceu função de tesoureiro de um convento de jesuítas em Salvador. Casou-se com Dona Maria dos Povos. Perseguido por algumas pessoas importantes e vítimas da sua sátira, exilou-se em Angola durante um ano. Retornando ao Brasil, fixou residência em Recife, onde morreu.
Como poeta, Gregório de Matos fez sátiras à vida na Colônia, poemas lírico-amorosos e, em uma última fase, poemas religiosos. Sua obra, publicada no século XIX, assim foi dividida:
- graciosa;
- religiosa;
- satírica.
Na poética lírico-amorosa de Gregório de Matos e Guerra, há presença de cultismo e da consciência da transitoriedade das coisas terrenas
À MARIA DOS POVOS Discreta e formosíssima Maria, Enquanto com gentil descortesia, Goza, goza da flor da mocidade Ó não aguardes que a madura idade, |
Nesse soneto, o poeta também aconselha Maria dos Povos a aproveitar a vida enquanto ele é jovem e bela. Esse tipo de conselho tornou-se tema de muitos poemas de Gregório de Matos e Guerra e foi freqüênte na poética dos árcades do século XVIII. Trata-se de uma máxima romana: Carpe diem - aproveita o dia.
Na poética religiosa de Gregório de Matos e Guerra, existe o cultismo, a consciência de que é pecador, a expressão de arrependimento e o pedido de perdão a Cristo.
Manuel Botelho de Oliveira
O poeta Manuel Botelho de Oliveira (1636-1711) era baiano e estudou Direito, em Coimbra, Portugal.
Leia, a seguir, um dos poemos da obra Música do Parnaso, uma coletânea de poemas.
A CRISTO NOSSO SENHOR CRUCIFICADO Pequei, Senhor, mas não porque hei pecado, Se basta a voz irar tanto pecado, Se uma ovelha perdida e já cobrada E sou, Senhor, a ovelha desgarrada, |
Na poética satírica, o poeta Gregório de Matos e Guerra antinge a todos e a tudo, porque não admite falsidade e chega ao vulgar, expressando-se com raiva.
EPÍLOGOS (fragmento) Que falta nesta cidade? ... Verdade. O Demo a viver se exponha Quem são seus doces objetivos? ... Pretos. E que justiça a resguarda? ... Bastarda. E nos frades há mangueiras? ... Freiras. Com palavras dissolutas |


