Biografias > Machado de Assis
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Machado
de Assis nasceu no Rio de Janeiro, palco da maioria das suas obras. Mulato,
teve uma infância pobre. Na adolescência empregou-se como tipógrafo
na Imprensa Oficial. Foi autodidata e publicou seu primeiro livro aos vinte
e seis anos. Casou-se com a portuguesa Carolina de Novaes, com quem viveu durante
35 anos; não tiveram filhos. Machado de Assis foi funcionário
público, jornalista e , como escritor já celebrizado, foi um dos
fundadores da Academia Brasileira de Letras.
Romancista, cronista, poeta e teatrólogo, Joaquim Maria Machado de Assis nasceu no Rio de Janeiro em 21 de junho de 1839, no morro do Livramento.
A falta de recursos impediu que realizasse estudos regulares, freqüentando apenas o primário em uma escola de São Cristóvão. Aos 16 anos de idade, deu início à sua carreira literária, publicando o poema "Ela" na "Marmota Fluminense", da qual se tornou colaborador regular. A partir daí, passou a escrever também para o "Diário do Rio de Janeiro", a "Semana Ilustrada" e outros. Em 1869, casou-se com Carolina Augusta Xavier de Novais, com quem viveu durante 35 anos; não tiveram filhos.
A carreira literária de Machado de Assis se firmou graças a seus contos e romances, dotados de uma aguda ironia e uma visão pessimista da existência. Suas obras, como "Helena", "A Mão e a Luva", "Esaú e Jacó", "Dom Casmurro" e "Memórias Póstumas de Brás Cubas", tornaram-se marcos da literatura brasileira. Paralelamente à sua carreira literária, Machado de Assis ocupou diversos cargos enquanto funcionário público, chegando, entre outras coisas, ao posto de diretor-geral do Ministério da Viação. Foi também um dos fundadores e o primeiro presidente da Academia Brasileira de Letras, em 1896.
Machado de Assis faleceu em 29 de setembro de 1908, no Rio de Janeiro, quase cego e muito doente, prostrado pela perda da esposa, que morreu em 1904.
A obra literária de Machado de Assis é bastante grande e compreende a poesia, a crônica, o conto, o teatro e o romance. Sua obra mais importante é dividida em duas partes, a romântica e a realista.
Primeira fase – romântica
Ressurreição (romance – 1872)
A mão e a luva (romance – 1874)
Helena (romance – 1876)
Iaiá Garcia (romance – 1872)
Histórias da meia-noite (contos – 1873)
Os romances românticos de Machado de Assis seguiam praticamente a mesma trilha dos melhores romances urbanos de José de Alencar, porém já se delineavam neles a crítica e a análise psicológica que pontificaram na sua melhor fase, a realista. No romance Iaiá Garcia, por exemplo, destaca-se a importância do social na formação do indivíduo e esse procedimento foi um dos motivos condutores dos romances realistas de Machado de Assis.
Segunda fase – realista
Memórias Póstumas de Brás Cubas (romance
– 1881)
Quincas Borba (romance – 1891)
Dom Casmurro (romance – 1900)
Esaú e Jacó (romance – 1904)
Memorial de Aires (romance – 1908)
Papéis Avulsos (contos – 1882)
Histórias sem Data (contos – 1884)
Relíquias da Casa Velha (contos – 1906)
Teatro
A Queda que as Mulheres Têm pelos Tolos (1864)
Quase Ministro (1864)
Tu, só tu, Puro Amor (1881)
Poesia
Falenas (1870)
Americanas (1875)
Ocidentais
A
Critaura Sei que uma criatura antiga e formidável, Na árvore que rebenta o seu primeiro gomo Pois essa criatura está em toda a obra: Ama de igual amor o poluto e o impoluto; |
A poesia de Machado de Assis não é muito comum nos livros de Literatura em nível de ensino médio, mesmo que sua poesia seja comparável às dos grandes poetas brasileiros. Talvez tenha sido a excelência dos romances da fase realista que fez com que os poemas de Machado de Assis tenham ficado em segundo plano. Porém, segundo o crítico e historiador de literatura Alfredo Bosi, em História Concisa da Literatura Brasileira, além dos versos bem elaborados, nos poemas de Ocidentais, como “A Criatura”, estão presentes a desesperança, o mito da Natureza madrasta e o gosto de destruir, que marcam a condição humana. Quanto à forma, a poesia machadiana se apresentava parnasiana.
Características da prosa realista de Machado de Assis
Machado de Assis é citado como o escritor realista brasileiro. Mas é preciso considerar que a obra dele está muito além dos procedimentos literários dos escritores de características realistas, na medida em que esse escritor se preocupou em ter um caminho próprio, singular, que o diferenciou de todos.
Análise psicológica
O indivíduo, a alma humana, e seus caracteres de motivação e de tendências psíquicas, as causas e as conseqüências das ações das pessoas, considerando suas relações com o meio e com o momento, são as principais características da prosa realista de Machado de Assis. Por isso, ele não conta uma história, ou melhor, os fatos narrados por ele são meros referenciais para analisar os indivíduos e a sociedade.
Antilinearidade
Na maioria das narrativas de Machado de Assis, não existe o esquema tradicional de começo, meio e fim. A história é fragmentada, as ações acontecem em ziquezague e sempre há um espaço para o narrador conversar com o leitor (que lê trata de tu, de vós, de leitor ou de leitora) para filosofar acerca do que conta e para desviar a atenção do leitor para detalhes periféricos, a fim de que este não se compraza somente em seguir uma história, mas em pensar sobre os acontecimentos narrados. Na realidade, esse autor não quer um leitor comum da narrativa, mas um cúmplice do que está sendo exposto.
Temas machadianos
Descrença na instituição da Igreja, do Estado, do casamento e da família tais como burguesamente se apresentavam; o egoísmo, a hipocrisia, o adultério, a traição, a mentira, a vaidade e o interesse dominando as relações humanas; os limites da loucura e da razão; a desesperança, o mito da Natureza madrasta e o gosto de destruir (já presentes na poesia dele), que marcam a condição humana, são temas recorrentes em Machado de Assis.
Toda essa temática é carregada de ironia e ambigüidade, marcas singulares de Machado de Assis. Assim, especialmente as heroínas, como Capitu (Dom Casmurro), Virgília (Memórias Póstumas de Brás Cubas), Sofia (Quincas Borba), Flora (Esaú e Jacó), Conceição (“Missa do Galo”), agem de forma ambígua e suas ações e dos outros personagens são sempre caracterizadas por um tom irônico e ambíguo, deixando o leitor em constante dúvida. Essa é, aliás, uma peculiaridade de escritores que fogem da gratuidade de certas narrativas que dão tudo pronto para o leitor.
Você tem que considerar, ainda, que a leitura que Machado de Assis faz da vida e da sociedade é completamente pessimista.
Universalidade
A obra de Machado de Assis, via de regra, tem ações ambientadas no Rio de Janeiro do Segundo Império, local e época em que o autor viveu. Entretanto, os temas desse autor ultrapassam os limites daquela cidade e da época, porque dizem respeito a qualquer ser humano de qualquer lugar e tempo.
Forma perfeita
A obra realista de Machado de Assis tem sido o modelo de linguagem da maioria dos escritores brasileiros. O texto dele é gramaticalmente bem elaborado, suas frases e capítulos são curtos e sua sintaxe é predominantemente subordinada, característica de quem sabe expressar o que pensa.



