Escolas Literárias > Cubismo
Em 1907, o pintor Pablo Picasso surpreendeu o mundo artístico com a tela Les Demoiselles d’ Avignon. Diante do espanto causado pelo diferente que havia nela, Picasso disse aos interessados: “Eu não pinto a Natureza como ela é, mas como eu a vejo”. Estava lançado o movimento cubista, cuja proposta era talhar um objeto em facetas, em pedaços geométricos, como se um pintor decompusesse uma maçã em fatias desenhadas geometricamente e as colasse em uma tela.
Na Literatura, o Cubismo manifestou-se da seguinte forma:
- Texto antidiscursivo (fora dos padrões das frases tradicionais);
- Ausência de métrica no poema e de pontuação em qualquer texto;
- Livre associação, fragmentação de imagens;
- Simultaneidade de imagens, cinematografia;
- Texto muitas vezes desenhado na página, visualizando o objeto tematizado;
- Destaque para a anedota e a sátira;
- Como exemplo de texto cubista, há, a seguir, um poema do revolucionário modernista brasileiro Oswald de Andrade.
BENGALÓ Bicos elásticos sob o jérsei um maxixe escorrega dos dedos de Gilberta janelas sotas e ases desertam o céu das estrelas de rodagem o piano vox-trota domingaliza um galo canta no território do terreiro a campainha telefona cretones o cinema dos negócios planos de comprar um forde um piano fox-trota janelas bondes |
Esse mesmo texto de Oswald de Andrade, em linguagem discursiva (tradicional), poderia ficar assim:
- Em Bengaló, imagens fragmentadas, díspares e planos visuais se misturam: é um fim de festa. Quando cessa o jogo do baralho, damas e cavalheiros abandonam a casa como as estrelas abandonam o céu. O ambiente respira ar de domingo, um galo canta no seu território, o telefone toca e alguém aperta a campainha. A cama é coberta com cretone, os negócios se sucedem velozes e Gilberta, ao piano, toca um maxixe. Da janela, vêem-se bondes.

