Escolas Literárias > Dadaísmo
O movimento artístico mais contestador surgido na Europa e com claros reflexos no Brasil foi o Dadaísmo, criado em 1916, em Paris, por um grupo de refugiados alemães liderados por Tristan Tzara (1896-1963), poeta judeu-romeno-francês.
“Encontrei o nome casualmente ao meter uma espátula num volume fechado do Petit Larousse e, lendo, logo ao abrir o livro, a primeira palavra que me saltou à vista foi DADÁ.” Assim Tristan Tzara batizou o movimento.
O que quer dizer “dada”? Nada. Pode até significar rabo de vaca, ama de leite, cavalo de pau ou mesmo uma das primeiras palavras emitidas por um bebê: “papá”, “mamá”, “dada”.
Algumas propostas literárias dadaístas:
- Liberdade total de criação (“Estamos contra todos os
sistemas, mas sua ausência é o melhor sistema”);
- Percepção da vida em sua lógica incoerência
primitiva;
- Criação de uma linguagem totalmente nova;
- Ausência de nexo;
- Estilo antigramatical;
- Anarquia, espontaneidade, desvairismo;
- Poema-piada e paródia;
- Nihilismo, autofagia.
Para fazer Poema Dadaísta: este poema de Tristan Tzara demonstra e sua técnica literária que, aliás, era a mesma do seu amigo, o pintor alemão Hans Arp, também dadaísta, que fazia cair sobre a tela pedacinhos de papel que eram colocados exatamente onde ficavam parados.
RECEITA PARA FAZER UM POEMA DADAÍSTA Agarre num jornal e numa tesoura. Recorte um pedaço
de um artigo que tenha a extensão prevista para o seu poema. Recorte
cada uma das palavras e meta-as numa bolsa. Mexa-as com cuidado. Tire
depois cada palavra por sua vez ao acaso. Copie-as conscienciosamente.
O poema parecer-se-á com você. E assim se transforma num
escritor infinitamente original e de uma sensibilidade encantadora, se
bem que incompreendido do vulgo. |
No Brasil, o Dadaísmo manifestou-se em várias obras dos modernistas sem, contudo, domina-las integralmente.
Mário de Andrade, no “Prefácio Interessantíssimo” do livro de poemas Paulicéia Desvairada (a primeira obra modernista após a Semana da Arte Moderna), usou bastante da técnica dadaísta. Neste prefácio, o poeta procura criar um alicerce teórico do Modernismo e busca colocar, de forma polêmica, alguns aspectos que cercam a criação poética.
(fragmento) Leitor: Está fundado o Desvairismo. Este prefácio, apesar de interessante, inútil. Alguns dados. Nem todos. Sem conclusões. Para quem me aceita são inúteis ambos. Os curiosos terão prazer em descobrir minhas conclusões, confrontando obra e dados. Para quem me rejeita trabalho perdido explicar o que, antes de ler, já não aceitou. Quando sinto a impulsão lírica escrevo sem pensar tudo o que meu inconsciente me grita. Penso depois: não só para corrigir, como para justificar o que escrevi. Daí a razão deste Prefácio Interessantíssimo. Alias muito difícil nesta prosa saber onde termina a Blague, onde principia a serenidade. Nem eu sei. |
O grande projeto dos modernistas era escrever brasileiro, criar um língua nacional livre. Manuel Bandeira, grande poeta modernista e amigo de Mário de Andrade, obedecendo a um procedimento dadaísta comum na época (a galhofa) fez, no poema a seguir, uma paródia modernista de outro poema do romântico Joaquim Manuel de Macedo (A Moreninha).
ORIGINAL DE MACEDO Mulher, irmã, escuta-me: não ames, |
TRADUÇÃO DE BANDEIRA Teresa, se algum sujeito banco o sentimental em cima de você E te jurar uma paixão do tamanho de um bonde Se ele chorar Se ele ajoelhar Se ele se rasgar todo Não acredita não Teresa É lágrima de cinema É tapeação Mentira CAI FORA! |

