Escolas Literárias > Modernismo - Segunda Fase (Poesia)
A primeira fase do Modernismo (1922-1930) caracterizou-se pela adoção das idéias das vanguardas européias, pelo antiparnasianismo, pela liberdade, pelo verso livre e verso branco, pela valorização da língua popular e do prosaico, pela piada e, principalmente, pela busca da expressão nacional. Certamente, essas características todas estão presentes de maneira clara em Macunaíma de Mário de Andrade, e no Manifesto Antropófago, de Oswald de Andrade.
No início da década de 30, surgiu um grupo de poesia que, por razões diversas e por caminhos diferentes, prosseguiram o trabalho dos modernistas da primeira fase e acrescentaram-lhe novos ingredientes em nível temático e também estético.
Esse novo grupo de poetas – Calos Drummond de Andrade, Cecília Meireles, Mário Quintana, Vinícius de Morais, Murilo Mendes e Jorge de Lima – constituiu-se no que se convencionou denominar, didaticamente, de Poetas da Geração de 30. A Geração de 22, representada por Mário de Andrade, Oswald de Andrade e Manuel Bandeira, ainda estava em atividade influenciando a todos, mas a nova geração apresentava diferenças.
Se a Geração de 22 procurou criar uma nova linguagem cultural rumo ao que era ou não brasileiro (sempre de maneira demolidora), a Geração de 30 buscou poetizar os dramas do mundo, o patético desconcerto do capitalismo; há, portanto, a presença de uma temática universal. Foram todos poetas de cosmovisão (visão do mundo) preocupados com o destino do ser humano como um todo.
No aspecto formal, a poesia da Geração de 30 não apresentou novidade alguma. Houve um aproveitamento do verso livre dos modernistas de 22, mas também aconteceu uma volta ao trabalho com o verso, praticamente à moda parnasiana, a ponto de o soneto – poema ícone dos parnasianos, ter sido largamente cultivado, haja vista a obra poética de Vinícius de Morais.
A obra da Geração de 22 virou patrimônio nacional. Paulicéia Desvairada, Manifesto Antropófago e Carnaval foram obras empolgantes (desde o título), que deram forma a uma nova brasilidade cultural. A manifestação poética da Geração de 30 é outra porque não há empolgação na ironia e no pessimismo verde de Drummond, no surrealismo de Murilo Mendes, na poesia religiosa de Jorge de Lima. Estes são poetas problemáticos, isto é, aquilo contra o que eles se voltam não é um problema qualquer – é o próprio mundo.
É claro que há razões para essa nova poesia. No plano mundial, os problemas econômicos advindos da queda na Bolsa de Nova Iorque, a Segunda Guerra Mundial, o nazi-facismo, as bombas atômicas em Hiroshima e Nagasaki, enfim, a desintegração da sociedade mundial. No Brasil, a Revolução de 30, o Estado Novo de Getúlio Vargas.