Escolas Literárias > Modernismo

O Modernismo não é propriamente um estilo ou uma estética no seu sentido literal; é, isto sim, o vocábulo que reúne as múltiplas tendências artísticas que eclodiram na Europa e no Brasil antes, durante e depois da I Guerra Mundial (1914-1918). Essas tendências artísticas buscavam novas concepções de arte, embora houvesse gritantes diferenças entre essas concepções, também existiam muitos pontos em comum entre elas. Por exemplo:

  • Questionavam as formas tradicionais de organização da obra de arte;

  • Anarquizavam, nos livros, revistas, manifestos, exposições e de atitudes pessoais e grupais, com um ímpeto demolidor, o que havia de padrão e de convenção nas artes e na sociedade;

  • Disseminavam uma verdadeira alergia contra academias, museus, artistas canastrões, soneto, rima, cartola, sobrecasaca, polaina, casamento, organização social e padrões de comportamento;

  • Propunham uma arte inconsciente, desordenada, ilógica, diferente de quase tudo o que tinha havido até então;

  • Para a maioria dos artistas, o novo e o diferente é que eram a arte.

Na Europa, Munique e Paris eram os centros onde se reuniam os artistas para provocar toda a mudança na arte vigente. E, continuando um hábito já secular, muitos artistas e intelectuais brasileiros viajavam para a Europa por conta própria ou gozando dos benefícios de bolsas de estudos patrocinadas pelo governo. Retornando ao Brasil, esses artistas e intelectuais começaram a divulgar as novas idéias que eles tinham aprendido com os europeus, entusiasmando outros no sentido de promover, por aqui, o mesmo trabalho de renovação nas artes. Assim, movidos por essas informações, intelectuais, escritores, pintores, escultores e músicos iniciam a procura e a divulgação das novidades artísticas na sociedade brasileira. Adotaram, então, uma atitude de deglutição e não de uma simples cópia de arte européia (o que era comum até o final do século XIX). Existia a importação de formas artísticas estrangeiras, é evidente, mas elas se diluíam, aqui, no tratamento que os novos artistas e intelectuais deram para descobrir o caminho brasileiro, valorizando os ricos aspectos do folclore, do primitivismo, da miscigenação de raças e da maneira de ser dos brasileiros. Buscaram criar o perfil da identidade nacional, sem “macaquear”, como se fossem meros robôs, as sugestões européias.

O que importava para os modernistas brasileiros era uma nova leitura da realidade brasileira, em busca de expressão nacional. As perguntas que se faziam eram simples: Quem somos nós? O que o Brasil tem de diferente?

Movidos, assim, pela busca de respostas para essas questões e imbuídos do espírito reformador trazido da Europa, os modernistas brasileiros, também irritados com a elite parnasiana que dominava as artes, decidiram fazer a Semana da Arte Moderna, no Teatro Municipal de São Paulo, em fevereiro de 1922.