Escolas Literárias > Naturalismo (1881)
Noventa e cinco casinhas
comportou a imensa estalagem. As casinhas eram alugadas por mês
e as tinas por dia; tudo pago adiantado. E naquela terra encharcada e fumegante, naquela umidade
quente e lodosa, começou a minhocar, a esfervilhar, a cresce um
mundo, uma coisa viva, uma geração que pareci brotar espontânea,
ali mesmo, daquele lameiro, a multiplicar-se como larvas no esterco. |
Esse fragmento do romance O cortiço, de Aluísio de Azevedo, descreve o amanhecer de um cortiço, habitação coletiva comum no Rio de Janeiro do século XIX. Tanto quanto Machado de Assis, Aluísio de Azevedo mostrava a realidade, mas não se detinha na análise psicológica dos personagens; a ele só interessava o coletivo e a bestialidade natural do ser humano. Essa é a diferença básica entre o Realismo propriamente dito de Machado de Assis e o Naturalismo de Aluísio de Azevedo.
Características do Naturalismo
Observação – objetividade – verossimilhança: retrato da verdade por meio da observação.
O homem é produto do meio, da raça e do momento: aplicações das teorias de Hipolyte Taine.
O homem é um animal: o ser humano age por instinto, não pensa e porta-se como uma besta, ou seja, ele segue as mesmas leis naturais que regem um animal qualquer.
Determinismo biológico: o homem recebe por herança o seu temperamento e o meio só o desenvolve. Presença das teorias de Herbert Spencer sobre o determinismo.
Patologia: personagens mórbidos, viciados e doentes. No Naturalismo, há uma legião de bêbados, assassinos, incestuosos, homossexuais, devassos e prostituídos. O feio, o vulgar e o sórdido dominam as narrativas.
Crítica social explícita: denúncia dos problemas sociais e da degradação humana.
Preferência pelos ambientes dos menos favorecidos: desenvolvimento do enredo em cenários como cortiços, pensões e subúrbios.
Detalhismo: narração lenta e descrição detalhada.
É necessário que você tenha claro que o Realismo de Machado de Assis se preocupava em retratar psicologicamente o indivíduo e as suas relações com o meio, ao passo que o Naturalismo de Aluísio de Azevedo e de outros escritores privilegiavam o coletivo e a força do meio sobre esse coletivo.