Escolas Literárias > Poesia-práxis

Em 1961, o poeta Mário Chamie, que fazia parte do grupo da Poesia Concreta, rompeu com o Concretismo e formou o seu próprio grupo de poetas experimentais, partindo para o que denominou poesia-práxis.

O manifesto didático da poesia-práxis foi publicado em 1962, no livro de Mário Chamie, Lavra Lavra, em que estavam algumas premissas básicas do grupo. Os praxistas, abertamente contra o Concretismo, repudiavam a “estrutura matemática” do poema e afirmavam que o espaço em branco da página não era tão importante.

A poesia-práxis redescobre o verso como estrutura básica do poema, mas não da maneira tradicional. Sempre há uma palavra básica (ou palavras básicas) que funciona como vetor (orientação) das outras. O poeta busca, na prática, no dia-a-dia, o objeto do seu poema de tal forma que autor-objeto-leitor são os escritores da obra.

Leia, a seguir, um poema de Mário Chamie.

povo: um cardume sem dono
um ardume nos olhos
um friúme nos ossos.
uma frebe
uma peste.
um fio de fumo
nos olhos do homem.
um fio de gume
no lombo de couro do pobre.
um corte sem rumo.
X
o cardume dos peixes do lucro:
o azedume.
o ofício pro domo do dono
do couro no cume do custo do ouro.