Escolas Literárias > Surrealismo
O movimento surrealista nasceu de uma “costela de Dada” e aconteceu na pintura (Salvador Dali), no cinema (Luís Buñuel em O Discreto Charme da Burguesia) e na literatura de inúmeros escritores de todo o mundo.
O psiquiatra e poeta francês André Breton (1896-1966), egresso do Dadaísmo, foi o líder do Surrealismo, mas quem inventou o vocábulo surreal foi o poeta e dramaturgo francês Guillaume Apolinaire (1880-1918) para explicar o cômico e as formas diferentes de expressar a realidade em sua peça teatral Lês Manelles de Tirésias: “Para caracterizar o meu teatro, criei o neologismo surreal porque também o homem, quando quis inventar um objeto que imitasse a sua própria ação de andar, criou a roda que em nada se assemelha às pernas”.
Algumas propostas do Surrealismo:
- Expressar o mundo dos sonhos, do subconsciente e do inconsciente, juntando-o
ao da realidade e criando uma super-realidade;
- Dizer os estados de alma cheios de alucinação e loucura;
- Exprimir tudo com ilogicidade;
- Deixar fluir o pensamento e a imaginação;
- Valorizar o que é espontâneo e instintivo.
No Brasil, encontram-se vestígios do Surrealismo em muitos escritores (até hoje) como em Oswald de Andrade, Mário de Andrade, Jorge de Lima, Murilo Mendes e em João Cabral de Melo Neto.
Em O Menino Experimental, o poeta modernista (2ª
fase) Murilo Mendes expressou-se com non sense – liberdade que
ele experimenta ao se desamarrar dos nós da lógica. O mundo, conforme
a ótica do “menino experimental”, é uma sala de espelhos
onde as imagens sugerem a mistura de realidade e fantasia. O poeta sonha um
amanhã sem guerras, sem bloqueios, sem dogmas e sem preconceitos.
O MENINO EXPERIMENTAL (fragmento) O menino experimental come as nádegas da avó e atira os ossos ao cachorro. O menino experimental futuro inquisidor devora o livro e soletra o serrote. O menino experimental ateia fogo ao santuário para testar a competência dos bombeiros. O menino experimental confessa-se ateu e à-toa. O menino experimental repele as propostas da prima de dezoito anos chamando-a de bisavó. O menino experimental escondendo os pincéis do pintor e trancando-o no vaso sanitário, obriga-o a fundar o pop art, única saída para o impasse. O menino experimental ensina a vamp a amar. Dorme com o radar debaixo da cama. O menino experimental despede a televisão, “brinquedo para analfabetos, surdos, mudos, doentes, antinietzsches, padres, podres, croulants. O menino experimental atira um granada em forma de falo na mãe de Cristóvão Colombo, sepultando as Américas. |